Creio que seja uma falha que se perpetua em nosso ensino, a falta de preâmbulos desse tipo, na introdução das disciplinas. Se você prenotar alguém o que vai tentar lhe ensinar, para o que serve, e exemplificar, ele tenderá a ter mais atenção, na medida de seu interesse pelo assunto.
A dificuldade, quase generalizada, nos primeiros passos do aprendizado da matemática pode ser assim explicada, e no meu caso não foi diferente. Isso só começou a mudar quando caiu em minhas mãos, em uma biblioteca pública, um livro chamado O Homem que Calculava.
Foi um dos primeiros que lembre de ter folheado e lido, ainda de forma precária, já que me alfabetizara havia pouco tempo. Ele me levou a pegar gosto pela matemática, pois passei então a compreender como seu emprego era indispensável em quase tudo que me rodeava.
É, para ele e seu autor, Malba Tahan, dedicado este post!

O Homem que Calculava – aventuras de um singular calculista persa – é um romance infanto-juvenil do escritor brasileiro Malba Tahan – heterônimo do professor Júlio César de Mello e Souza – que narra as aventuras e proezas matemáticas do calculista persa Beremiz Samir na Bagdá do século XIII. Foi publicado pela primeira vez em 1939 e já chegou a sua 75ª edição.

A narrativa, dentro da paisagem do mundo islâmico medieval, trata das peripécias matemáticas do protagonista, que resolve e explica, de modo extraordinário, diversos problemas, quebra-cabeças e curiosidades da matemática. Inclui, ainda, lendas e histórias pitorescas, como, por exemplo, a lenda da origem do jogo de xadrez, e a história da filósofa e matemática Hipátia de Alexandria. Sem ser um livro propriamente didático, tem, contudo, uma forte tonalidade moralista.
Sucesso de vendas no Brasil, tendo sido lida por várias gerações de leitores, a obra foi traduzida para o espanhol, o inglês, o italiano, o alemão e o francês.
Encontrei no YouTube um vídeo de animação do designer gráfico Jusier, muito interessante, que reproduz duas histórias contidas no livro, de forma sequencial… ‘A divisão dos 35 camelos’ (do capítulo 3) e ‘A soma das parcelas da dívida’ (do capítulo 7)… vale a pena assistir!
Júlio César de Mello e Souza nasceu no Rio de Janeiro, em 6 de maio de 1895, e faleceu em Recife, em 18 de junho de 1974. Através de seus romances foi um dos maiores divulgadores da matemática no Brasil. Escreveu ao longo de sua vida cerca de 120 livros de matemática recreativa, didática da matemática, história da matemática, e ficção infanto-juvenil, tendo publicado com seu nome verdadeiro ou sob o pseudônimo Malba Tahan.
Como professor de matemática, destacou-se por ser um acerbo crítico das estruturas ultrapassadas de ensino… “O professor de matemática em geral é um sádico, sente prazer em complicar tudo”.
Com concepções muito à frente de seu tempo, somente nos dias de hoje Júlio César começa a ter o reconhecimento de sua importância como educador.
Em 2004 foi fundado em Queluz, terra onde o escritor passou sua infância, o Instituto Malba Tahan, com o objetivo de fomentar, resgatar e preservar, a memória e o legado de Júlio César.
Malba Tahan é, também, nome de escola no Rio de Janeiro e de teatro em São Bernardo do Campo.
Em homenagem a Malba Tahan, o dia de seu nascimento, 6 de maio, foi decretado como o ‘Dia do Matemático’ ou ‘Dia da Matemática’ pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Fonte: Wikipédia


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